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00:00Olá, bem-vindos e bem-vindas a mais um Ponto de Vista, que é o primeiro Ponto de Vista do ano.
00:15Nós vamos falar sobre as expectativas e projeções para o novo ano.
00:19E o nosso convidado é o arquiteto e urbanista Francisco Cunha, que é especialista em gestão empresarial.
00:27Francisco Cunha, seja muito bem-vindo e obrigado por ter aceitado o nosso convite.
00:32Eu que agradeço o convite e é muito honroso de estar conversando sobre o futuro.
00:37Conversar sobre Recife, Pernambuco, Brasil, né, tudo.
00:41Eu queria começar falando de Pernambuco, né, a gente tem esse ano um ano eleitoral, né,
00:46os eleitores devem votar em outubro para presidente da república, governador, dois senadores, né, deputados federais e estaduais.
00:55Aqui no estado, a governadora Raquel Lira deve tentar a reeleição, né, o prefeito do Recife, João Campos, também deve tentar disputar o governo do estado.
01:09Independente de quem seja o vencedor, né, qual o principal desafio de quem vai estar no comando do estado já no ano que vem, ainda antes das eleições?
01:20Eu penso, Fernando, que o principal desafio do governante daqui para frente, principalmente, vai ser o redesenho, se a gente puder chamar assim,
01:32o redesenho do modelo de desenvolvimento de Pernambuco, que foi muito bem sucedido com a implantação do porto de Suape,
01:42da montadora, da refinaria, mas isso é baseado no planejamento que foi feito em meados do século XX.
01:52Então, Pernambuco sempre foi um estado pioneiro do ponto de vista de planejamento de longo prazo.
01:57Tanto é que a Comissão de Desenvolvimento de Pernambuco, que foi criada em 1952, ela foi precursora da Sudene.
02:04Inclusive, essa comissão convidou uma celebridade da época, em planejamento, que era o padre Lebré,
02:13e ele fez um traçado do desenvolvimento que enfatizava justamente a vocação portuária do estado.
02:20Ele dizia que essa vocação não podia ser desconsiderada, mas que o porto do Recife não tinha para onde crescer,
02:26era importante ter um porto mais ao sul.
02:28E a partir dessas colocações que ele fez, nesse porto, não devia ser só um porto, mas um complexo industrial portuário,
02:37foi que surgiu a ideia de Suape.
02:39E eu diria que Suape foi uma espécie de cereja do bolo desse modelo industrial portuário.
02:46Só que esse modelo esgotou-se, esgotou-se porque ele foi implantado.
02:49E nós estamos diante do desafio, enorme desafio, de projetar o futuro de Pernambuco para os próximos 50 anos,
02:57porque o estado é um dos menores do Brasil, 90% do seu território incluído no semiárido nordestino,
03:05que é o semiárido mais populoso do mundo, no momento de mudanças climáticas.
03:10E também no momento de irrupção digital com a inteligência artificial.
03:13Então, nós estamos diante de desafios completamente diferentes do que aquele que geraram o modelo
03:18que foi desenvolvido até o início desse século.
03:21O grande desafio, no meu entendimento, para os novos governantes,
03:27é que eles pensem nesse futuro de médio e longo prazo,
03:31que será completamente diferente daquele que nós tivemos até então.
03:35Com todos esses desafios aí que você falou, concentrando em 2026,
03:40a gente pode dizer que Pernambuco vai crescer em 2026?
03:44Eu penso que sim, porque justamente esse modelo, que está em vias de ser redesenhado,
03:51ele foi muito bem sucedido.
03:53E, sendo bem sucedido, no início do século XX, ele propiciou uma quantidade enorme de investimentos.
03:59Então, nós tivemos diversos investimentos em indústrias, em infraestrutura, em infraestrutura portuária,
04:08e isso, digamos, criou uma reserva de crescimento que projeta para frente crescimento,
04:17como aconteceu no início do século XX, superiorizar o Nordeste, que já crescia mais do que o Brasil.
04:23O Pernambuco teve índice de crescimento bastante expressivo durante praticamente uma década e meia.
04:30E isso tende a projetar para frente.
04:32Só que a tendência vai ser ter crescimento cada vez menor, se não forem feitos investimentos
04:43que redirecionem o crescimento, o desenvolvimento.
04:47Nas suas palestras, você sempre fala dessa necessidade de Pernambuco rever o seu modelo de desenvolvimento.
04:55Quem é que deve assumir essa responsabilidade?
05:00Quem é que deve começar a pensar esse novo modelo?
05:05Ou não só a pensar, que isso já deveria, pelo menos, estar sendo pensado.
05:10Mas quem é que deve começar a implantar esse novo modelo de desenvolvimento?
05:14Ele carece de ser discutido antes de ser implantado.
05:18Mas, no meu entendimento, quem deve puxar isso naturalmente é o governo.
05:23Os governos que são eleitos para fazer essa discussão.
05:26Mas isso não é uma coisa exclusiva de governo.
05:30Isso envolve necessariamente a sociedade e a academia, onde é produzido conhecimento.
05:37É dessa triangulação, dessa discussão triangulada, que surgem as perspectivas e alternativas
05:45que precisam ser esgotadas, discutidas, bastante discutidas.
05:50Porque não é fácil redirecionar o desenvolvimento do Estado.
05:53Como não foi fácil projetar ele em meados do século passado.
05:58Mas isso é um debate não só necessário, como ele é bastante mobilizador.
06:03Se a gente consegue...
06:05Nós tivemos, como você se referiu, algumas palestras sobre isso, alguns eventos sobre isso.
06:11E mobilizou uma quantidade expressiva de pessoas sem muito esforço de divulgação.
06:15As pessoas vão porque querem discutir isso.
06:18Então, é muito importante envolver esses três grandes atores.
06:22Governo, sociedade e academia.
06:25As universidades e os centros de conhecimento.
06:28Agora, Francisco, Pernambuco teve um aumento ali por 2010, talvez um pouco antes até de 2010,
06:34em que se começou a ver surgirem vários focos de possíveis desenvolvimentos.
06:43Swap, que já vinha de muito antes.
06:47Refinaria Abreu e Lima.
06:48A montadora, como você já falou, de Goiana.
06:52E, de repente, o estaleiro Atlântico Sul.
06:55E, de repente, algumas dessas coisas começaram a desandar, digamos.
06:59A refinaria parou, o estaleiro parou, inclusive a refinaria que tinha trazido muita gente de fora para morar ali,
07:08em Pojuca, Cabo de Santo Agostinho.
07:10Eu vi que todas essas pessoas, muita gente que veio morar, veio de fora morar em Pernambuco,
07:16acabou voltando para seus estados de origem, porque a refinaria não foi aquilo que eles esperavam, digamos.
07:23O que foi que deu errado nesse projeto de que parecia que tudo começava, de repente, a crescer no Estado?
07:33O que deu errado é um problema estrutural que o Brasil tem.
07:36É uma espécie de crise estrutural fiscal, ou seja, poucos recursos para investimento,
07:43porque ela não acerta o país, ainda está devendo uma reforma fiscal que, de fato, ajuste as contas públicas.
07:54Porque nós temos visto, nos últimos anos, a dívida pública aumentar.
07:58Significa que são gerados os déficits.
08:00Claro que as necessidades são muito maiores do que os recursos,
08:03mas é preciso fazer um reordenamento fiscal, estrutural, para que sobre dinheiro para investimento.
08:10A cada ano que passa, são menores os recursos para investimento.
08:15Então, o que aconteceu com Pernambuco foi que ele foi atropelado pela crise de 2015 e 2016,
08:26e isso teve impacto relevante nos investimentos que estavam sendo feitos, como você falou.
08:31A refinaria estava projetada para ser o dobro, para refinar o dobro de petróleo bruto do que ela refina,
08:37porque só foi implantado um trem, na linguagem técnica, um trem de refino.
08:42No caso do estaleiro, houve uma crise também do investimento público,
08:48e a política de incentivo à produção naval brasileira também entrou em decadência,
08:55o dinheiro faltou e o estaleiro teve dificuldade.
08:58Entrou em recuperação judicial, etc., porque as encomendas deixaram de existir.
09:03E outro aspecto também muito importante desse modelo de desenvolvimento esboçado em meados do século passado
09:10é o trecho da transnordestina que chega até a Suape.
09:14No final de 2022, esse trecho foi subtraído do contrato de concessão e desapareceu.
09:21Ou seja, o trecho entre Salgueiro e Suape sumiu do mapa.
09:26Deixou de existir.
09:27Deixou de existir.
09:28Então, é isso, digamos que são reflexos dessa crise estrutural de recursos para investimento,
09:36dessa dificuldade de recursos de investimento, para os investimentos projetados,
09:40que eram investimentos estatais.
09:42Mas nós tivemos, nesse período, a implantação da montadora,
09:48que não só implantou-se como ela desenvolveu-se, está ampliando a sua capacidade de produção,
09:53como tivemos a implantação de diversos outros empreendimentos industriais
09:57que fazem ainda de Pernambuco, talvez, o segundo ou o terceiro,
10:02acho que é o segundo estado mais forte do ponto de vista industrial do Nordeste.
10:06Mas, como eu disse, isso são indicadores, são extertores de um modelo bem-sucedido.
10:13Só que a gente precisa pensar com mais intensidade no futuro.
10:16A transnordestina, Francisco, ela, esse trecho Salgueiro-Suape, né?
10:21O ministro de Minas e Energia, aliás, ministro do Porto e Aeroporto, Silvio Costa Filho,
10:29disse que vai sair, né?
10:31A transnordestina, o próprio presidente Lula já falou também,
10:35mas a verdade é que, na prática, o que a gente vê é que está saindo de Salgueiro
10:40para o porto de Pecém, no Ceará.
10:42Será que esse trecho de Pernambuco vai algum dia ser retomado de verdade ou não?
10:47Veja, como o trecho Salgueiro-Suape, ele desapareceu,
10:51ele foi retirado do contrato de concessão,
10:54então a empresa privada que tem a concessão do trecho da transnordestina
10:58do Piauí até Pecém, e tinha também de Salgueiro até Suape,
11:06esse trecho Salgueiro-Suape foi retirado
11:08para que a concessionária ficasse responsável pela construção do trecho
11:14que vai do Piauí até Pecém, e depois de uma mobilização enorme que foi feita,
11:20que aí, de novo, entrou governo, sociedade e a classe política,
11:27mas também a academia, com o aporte técnico,
11:31fez com que essa mobilização levasse o governo federal
11:34a incluir esse trecho que foi retirado da concessão no orçamento da União.
11:40E ao colocar ele no orçamento da União,
11:42ele foi redirecionado em termos de investimento do PAC
11:46para que ele pudesse ser construído.
11:48Todavia, o que foi que aconteceu?
11:50Enquanto que para esse trecho concessionário privado,
11:53que vai do Piauí até Pecém,
11:55existem recursos, inclusive os públicos da Sudene,
11:58alocados que montam em alguma coisa em torno de 6 bilhões
12:03para esse trecho de Pernambuco, de Salgueiro até Suape,
12:09foram alocados só no PAC, no orçamento da União,
12:13cerca de 400 milhões, ou seja, 10% do valor necessário.
12:17Então, significa que não só em termos de recursos
12:20estão subdimensionados os recursos para a retomada
12:25desse trecho de Salgueiro até Suape,
12:28como também tem aspectos técnicos que precisam ser revistos.
12:32Porque quando se mexeu no projeto original,
12:35o trecho de Pernambuco precisa ser reconsiderado
12:38do ponto de vista técnico de planejamento,
12:41para que isso não faça um investimento
12:42que estava previsto inicialmente,
12:44mas que talvez não seja adequado para a nova realidade.
12:47Durante muito tempo, Pernambuco foi o estado
12:51de maior projeção no Nordeste,
12:53rivalizando, às vezes, com a Bahia.
12:55Ultimamente, a gente tem rivalizado não só com a Bahia,
12:58mas também com o Ceará.
13:00O que é que...
13:00Claro que a gente quer que todos os estados do Nordeste cresçam,
13:04ninguém quer que Pernambuco cresça e os outros não.
13:07Mas o que foi que contribuiu, na sua opinião,
13:09para que Pernambuco perdesse projeção?
13:13Olha, Pernambuco, que chegou a ser
13:15um dos estados maiores do Brasil,
13:18mas ele foi muito penalizado
13:19pela sua chamada rebeldia libertária,
13:24ou seja, na Revolução de 1817,
13:26foi a chamada Revolução Pernambucana,
13:28Pernambuco perdeu a comarca das Alagoas,
13:30que fazia parte do seu território.
13:32E na Confederação do Equador, de 1824,
13:34ele perdeu toda a comarca de São Francisco,
13:37ou seja, toda a margem de São Francisco,
13:40que é de Petrolina até a Nascente,
13:43foi cortada de Pernambuco,
13:45ele transformou-se num estado
13:47que penetra longitudinalmente no semiárido nordestino.
13:52Então, ele tem 750 quilômetros,
13:54desde o mar até Petrolina, por exemplo.
13:57E desses 750 quilômetros,
14:00uma boa parte, a maior parte, 90%,
14:03está no semiárido.
14:04Então, isso é um problema, digamos assim,
14:07muito sério.
14:07Mas, durante esse período de perda de território,
14:10Pernambuco permaneceu muito forte
14:13do ponto de vista político.
14:14Tanto é que a representação de Pernambuco
14:16sempre teve repercussão nacional.
14:19E, para chegarmos aos nossos dias,
14:22nós tivemos um vice-presidente da República,
14:24pernambucano, Marco Maciel,
14:26e nós temos hoje um presidente pernambucano.
14:28Isso é como se fosse o reflexo
14:30de toda essa importância política
14:33que Pernambuco teve no cenário nacional.
14:35Todavia, isso foi perdendo densidade
14:38nos últimos anos.
14:39Eu diria que nas últimas décadas.
14:41Pernambuco perdeu densidade política.
14:43Perdeu essa densidade política que tinha.
14:45Então, existe um vácuo muito grande.
14:48Do ponto de vista político,
14:49tanto o Ceará quanto a Bahia
14:52têm muito mais capacidade de articulação
14:54no cenário nacional.
14:56Tanto é que a gente vê
14:57que os ministros mais próximos ao presidente Lula
15:00são baianos.
15:01É um baiano.
15:02E os parlamentares e os políticos cearenses
15:08têm importância muito grande
15:10no governo Lula.
15:12Muito maior do que Pernambuco, no momento.
15:15Então, de fato, a gente veio perdendo densidade política.
15:19Eu atribuo a esse fator
15:21a perda, digamos assim,
15:23de importância de Pernambuco
15:25e a perda relativa de importância econômica também.
15:27Muito bem, Francisco.
15:29Vamos fazer um rápido intervalo.
15:31Você que está acompanhando a gente,
15:32não saia daí.
15:33A gente volta já já.
15:47Estamos de volta.
15:48Hoje eu recebo aqui no Ponto de Vista
15:50o arquiteto, urbanista
15:52e consultor empresarial Francisco Cunha.
15:56Francisco, eu queria continuar
15:57falando um pouquinho de educação.
16:00A gente sabe a importância
16:02para quem tem...
16:05O crescimento econômico
16:07está sempre acompanhado de uma boa educação.
16:09Qual a avaliação que você faz
16:10da educação que a gente tem hoje aqui em Pernambuco?
16:13Pernambuco notabilizou-se nos últimos anos
16:16pela liderança em termos de educação de segundo grau.
16:20O ensino médio, no caso.
16:22O ensino chamado de ensino médio.
16:23Então, nós tivemos esse esforço enorme
16:27que foi feito na melhoria do ensino médio,
16:29que é uma coisa extraordinária.
16:31Todavia, nós precisamos,
16:32para esse novo modelo de desenvolvimento,
16:34que é baseado cada vez mais no conhecimento,
16:37no mundo inteiro...
16:38E muita tecnologia também, né?
16:40Em tecnologia, em conhecimento,
16:41ou seja, em capacidade,
16:43inteligência natural e formação,
16:46nós precisamos de excelência em todos os níveis.
16:49Em primeiro, no segundo, no terceiro grau.
16:51Então, nós precisamos,
16:53quando se redesenha esse novo modelo,
16:55alguns ingredientes desse novo modelo de desenvolvimento,
16:58ênfase absoluta na capacitação das pessoas,
17:01tanto do ponto de vista da educação formal,
17:04quanto da preparação para o trabalho.
17:06Então, nós precisamos ter excelência
17:08em todos os níveis de educação.
17:09Isso é indispensável.
17:11É como se a gente pudesse dizer assim,
17:13é a entrada para o jogo.
17:15Sem isso, a gente não entra nem no estádio.
17:18Vamos falar agora um pouquinho do Recife, né?
17:20Como arquiteto e urbanista,
17:22eu sei que você está sempre preocupado com os rumos, né?
17:25Que a nossa capital toma, né?
17:28Existe, na Prefeitura do Recife,
17:29tem uma secretaria específica para o centro do Recife,
17:33que é o gabinete do centro do Recife,
17:36que se chama Recentro, né?
17:38Qual a avaliação que você faz?
17:40Qual a saída que a gente tem para o centro do Recife,
17:43que hoje, sobretudo, a ilha de Santo Antônio,
17:46o bairro de Santo Antônio, está abandonado, né?
17:49A gente chega ali e vê prédios pichados,
17:53desocupados, abandonados,
17:55que em mim, que sou apaixonado pelo Recife,
17:59provoca, às vezes, até uma certa tristeza, né?
18:03De ver a cidade daquele jeito.
18:05Você, como um cara que pensa a cidade,
18:08qual a avaliação que você faz?
18:10Qual seria a saída para o centro do Recife?
18:13O centro do Recife, como você disse,
18:14esteve abandonado durante praticamente meio século, né?
18:18A gente vê, não obstante o fato de ser um lugar belíssimo,
18:21como a gente vê por essa foto aqui, né?
18:22Quer dizer, é uma das cidades mais fotogênicas do mundo.
18:26Eu que gosto de fotografia, eu termino tirando fotos com o próprio celular,
18:31mas cheguei a essa conclusão,
18:33que se a gente pega um ranking mundial,
18:35o Recife não está longe do primeiro lugar,
18:38se não for o primeiro lugar.
18:39Mas, o que acontece?
18:41Como toda essa região foi objeto de uma decadência
18:46muito continuada e atentuada,
18:49nos últimos décadas, principalmente,
18:51ela precisa de todo um esforço de recuperação.
18:54Todavia, Fernando, existem centros,
18:57existe mais de um centro no Recife.
19:00Se a gente está falando dessa parte de cá,
19:03que é do bairro do Recife,
19:04eu posso dizer que, do ponto de vista da mudança estratégica
19:09de recuperação, já foi feita a principal.
19:12Você passa lá e você vê vários prédios sendo recuperados,
19:16vários, um retrofit na parte norte, que é o moinho.
19:21As pessoas frequentando mais.
19:22As pessoas frequentando, as pessoas...
19:24No fim de semana, todas as ciclorotas levam para o centro do Recife,
19:28para o marco zero, é uma festa aquilo ali.
19:31Se a gente vier aqui no sul, junto da antiga ponte giratória,
19:35nós temos o complexo do hotel, novo hotel,
19:39e o complexo do centro de convenções.
19:41Tudo isso aqui é uma âncora.
19:43Então, essa parte aqui está recuperada.
19:44O problema está quando você passa da ponte
19:46para o lado de cá, para Santo Antônio.
19:48Então, hoje, Santo Antônio está no fundo do poço,
19:51como o bairro do Recife teve há 30 anos passado.
19:54Então, a gente precisa voltar às vistas para Santo Antônio.
19:59Hoje, a questão central de recuperação do centro é Santo Antônio.
20:03E como fazer isso?
20:04O Recife teve a sorte e teve, digamos assim,
20:08um encaminhamento de se discutir o planejamento de longo prazo
20:11desde o processo eleitoral de 2012,
20:15quando fizemos uma grande discussão
20:17sobre a necessidade da retomada do planejamento de longo prazo.
20:21E descobrimos, durante esse processo,
20:23que o Recife será a primeira capital brasileira
20:25a completar 500 anos em 2037, a capital mais antiga.
20:29Então, conseguimos fazer um planejamento
20:33dos 500 anos do Recife,
20:34quando o Recife completar 500 anos.
20:35Então, o Recife tem um plano de Recife 500 anos de longo prazo.
20:40Depois desse plano, nós conseguimos fazer...
20:44Quando eu falo conseguimos,
20:47eu estou me incluindo como agente da sociedade nessa discussão.
20:52Então, nós conseguimos fazer o plano do centro,
20:54que é derivado do plano dos 500 anos.
20:56Então, nós temos o plano de longo prazo para o centro.
20:58E dentro desse plano,
21:00o projeto de recuperação do bairro de Santo Antônio,
21:02que é chamado Distrito Guararapes,
21:05que significa organizar e montar,
21:09colocar em pé uma PPP,
21:12para que se possa recuperar diversos prédios dessa região,
21:16transformando-os em habitacionais.
21:18Essa região foi uma região do centro de serviço,
21:20historicamente do centro de serviço.
21:22Mas o redirecionamento vocacional dela
21:25requer a mudança da vocação de serviço
21:28para a vocação de habitação.
21:31Então...
21:32Esse, inclusive, é o projeto da Prefeitura,
21:34de transformar os prédios ali da Guararapes
21:36em unidades habitacionais.
21:37Em unidades habitacionais.
21:38Para que a população volte a frequentar,
21:41não só de urnamente,
21:45por causa do comércio,
21:46mas também more aí,
21:48possa utilizar o território 24 horas por dia.
21:51É isso que vai recuperar o centro.
21:52E, sobre esse ponto de vista,
21:54nós temos essa capacidade,
21:57tivemos essa capacidade de fazer o encadeamento
21:59do longo prazo para o médio e para o curto prazo.
22:03Curto prazo é cinco anos.
22:04Se esse projeto ficar de pé,
22:06que ele tem tudo para ficar de pé,
22:08porque foi coordenado pelo BNDES,
22:10e, tecnicamente, ele é bem feito,
22:12nós temos a possibilidade de, daqui a cinco anos,
22:15termos recuperado,
22:16como o bairro do Recife,
22:17o bairro de Santo Antônio,
22:19que será, digamos assim,
22:21a principal âncora de recuperação do centro.
22:23Queria falar de um outro aspecto.
22:25Você, como uma pessoa apaixonada pelo Recife,
22:28pela cidade,
22:29arquiteto e urbanista,
22:31você promove já há algum tempo
22:32as caminhadas domingueiras.
22:34Fala um pouquinho delas.
22:36Como foi que surgiu essa ideia
22:37de fazer essas caminhadas aos domingos
22:40pela cidade,
22:41não é só no centro do Recife?
22:44Eu, quando me formei, Fernando,
22:45eu entrei no carro.
22:46Fiz um concurso,
22:49passei, fui ser auditor do Tesouro,
22:52comprei um carro,
22:53e, a partir desse fato,
22:55eu entrei no carro
22:56e passei 25 anos fora da cidade.
22:58Porque, quando a gente entra no carro,
23:00a gente fica fora da cidade.
23:01A gente não percebe bem isso.
23:02Aí, precisei escrever um livro
23:04sobre o Pernambuco
23:06e comecei a fazer locação,
23:08ilustrar o livro com fotos do Recife atual.
23:12Comecei a fazer locação
23:13e fiquei com esse sentimento
23:15porque eu estava deixando de ver
23:16alguma coisa de dentro do carro.
23:18Aí, eu resolvi andar.
23:19Quando eu resolvi andar,
23:20eu descobri um mundo
23:21completamente diferente,
23:22muito maior do que eu imaginava.
23:24Então, quando eu comecei a andar,
23:27eu comecei a falar
23:28da importância disso
23:29para alguns amigos.
23:30Foram se juntando.
23:31Daqui a pouco,
23:31tinha 5, 10, 20, 30, 40.
23:34Quando chegou os 50,
23:35eu digo,
23:35eu preciso organizar isso
23:36porque, senão,
23:37eu não tenho sossego.
23:38Então, passamos a fazer
23:40caminhadas mensais,
23:41que nós chamamos de
23:42caminhadas domingueiras,
23:43sempre aos domingos,
23:45caminhadas temáticas
23:46sobre a cidade,
23:47dentro da cidade do Recife
23:48e sobre a cidade do Recife.
23:50Então, por conta disso,
23:51eu já estou escrevendo um livro,
23:52já estou projetando
23:53um segundo livro
23:53sobre a história da cidade
23:56e isso tem sido,
23:58tem tido uma participação crescente.
24:01Na última que nós fizemos,
24:03a última de 2025,
24:05foi no mês de dezembro
24:08na cidade de Olinda
24:09e tivemos cerca de 100 pessoas
24:11subindo e descendo
24:12aquelas ladeiras lá.
24:13Então, é uma atividade
24:14muito prazerosa
24:15que eu convido
24:16o telespectador
24:18que está nos vendo
24:19para participar também.
24:20Tem no Instagram
24:21um perfil
24:23que chama-se
24:23Caminhadas Domingueiras,
24:25no Facebook também
24:26e pode ir lá
24:27e se inscrever
24:28que vai tomar conhecimento
24:30da programação
24:31e será uma satisfação
24:32muito grande
24:32se puder participar.
24:33Inclusive,
24:34se você puder participar também,
24:35será muito satisfatório.
24:37Está certo.
24:38Com certeza,
24:38vai ser um dos meus passeios
24:41esse ano
24:42que está começando.
24:44Quero fazer
24:45um ano dessas caminhadas.
24:46Vamos voltar um pouquinho
24:47para as nossas projeções.
24:48No cenário nacional,
24:50eu queria perguntar
24:51para você o seguinte,
24:52a gente já está vivendo
24:53um cenário
24:54de polarização política
24:56já desde...
24:58Começou ali por 2013,
25:00mas em termos de eleições,
25:01a gente veio sentir mais
25:03de 18 e 22
25:05e certamente,
25:06eu acho que em 2023,
25:08a gente não vai ter
25:08muito como fugir disso.
25:11A projeção seria essa mesmo?
25:14A gente vai ter mais um ano
25:15bastante polarizado
25:16politicamente?
25:17Eu diria que
25:19o que nós verificamos,
25:22esse esgaçamento
25:23da convivência política
25:25que nós tivemos
25:25nos últimos anos,
25:27eu acho que,
25:27infelizmente,
25:28isso vai demorar muito tempo
25:29para se desfazer.
25:30Infelizmente.
25:31Porque criou-se
25:32uma situação que
25:33fica difícil de contornar.
25:37A gente mesmo tem
25:37a experiência
25:38na nossa família,
25:39nossas relações
25:40de amizade e tudo mais,
25:42houve essa quebra,
25:45digamos assim,
25:45do afeto,
25:47digamos,
25:47social.
25:48Houve um retrocesso
25:51sobre esse ponto de vista.
25:52Mas eu sou otimista
25:53em relação ao Brasil.
25:54Eu acho que
25:55nós somos um país
25:56de grandes potencialidades,
25:58nós vamos ter que superar,
26:00demos os passos atrás,
26:01mas o avanço
26:02que nós fizemos
26:03no processo democrático
26:04de desenvolvimento,
26:06desde a redemocratização,
26:07desde a Constituinte
26:08de 88 até agora,
26:10comporta alguns passos
26:11para trás.
26:11Agora,
26:12vamos ter que perseverar
26:14nessa coisa
26:15de que o país
26:16pode e deve
26:18ser uma referência mundial,
26:20sobretudo do ponto de vista
26:21de ser uma potência verde.
26:25O Brasil é,
26:27no concerto das nações
26:28do mundo,
26:29aquele que tem
26:30mais condições
26:31de atingir as metas
26:32do milênio
26:33do Acordo de Paris
26:34antes de 2030.
26:37Se nós tivermos
26:39focados,
26:40nós conseguiremos
26:42zerar
26:43as emissões
26:44de carbono
26:45antes de até
26:48de 2030.
26:51Então,
26:51isso depende
26:52dessa capacidade
26:54de mobilizar
26:55esses recursos,
26:55mobilizar a sociedade
26:56nessa direção.
26:58Claro,
26:58que isso vai ser,
27:00digamos assim,
27:01um pouco mais dificultado
27:02por conta
27:02desse esgraçamento
27:03do tecido social,
27:05político-social,
27:06mas eu sou otimista
27:09porque acho
27:10que o nosso potencial
27:12é muito maior
27:12do que as nossas
27:13deficiências.
27:15E se a gente tiver
27:16um pouco de sorte,
27:18a gente consegue
27:19dar esse salto
27:20que será
27:21muito importante
27:22para o país
27:23e para todos nós
27:24revigorar
27:25esse sentimento
27:26de que o país
27:27não só pode
27:28como deve ser
27:29uma referência
27:30no mundo.
27:30eu queria,
27:32o tempo do programa
27:33já está quase acabando,
27:34eu ia falar ainda
27:35de Donald Trump,
27:36mas para a gente
27:37encerrar mais para cima
27:38eu vou deixar
27:39Donald Trump
27:40um pouco de lado
27:40e falar
27:41o que é que você espera
27:43do Recife
27:44e de Pernambuco
27:45nesse ano
27:46de 2026.
27:48A gente tem como,
27:49como você mesmo falou,
27:51a gente tem como
27:51ser otimista?
27:52Eu acho que sim,
27:53porque,
27:55como eu disse,
27:56eu sou muito otimista
27:57em relação
27:57ao Recife
27:58porque pela primeira vez
28:00depois de muitos anos
28:01ele começa
28:02a formatar
28:04um desenho
28:05para o seu desenvolvimento
28:06urbano e econômico,
28:08social, econômico,
28:09misturado
28:10e ambiental
28:11e para Pernambuco
28:12nós temos
28:13uma excelente oportunidade
28:14que é justamente
28:15discutir o futuro.
28:16Nós estamos quase
28:17com a tábua rasa
28:18em relação
28:19a essas perspectivas.
28:21Nós precisamos
28:21construir
28:22esse modelo
28:23e toda a construção
28:25de modelo
28:25de planejamento
28:26é sempre mobilizador
28:27para as pessoas
28:29que estão envolvidas
28:30nisso.
28:30Então,
28:31sou otimista sim,
28:32sou otimista em relação
28:33ao Brasil,
28:33sou otimista em relação
28:34a Pernambuco
28:36e em relação
28:37a Recife.
28:37Em relação ao mundo,
28:39eu não deixo de ser também
28:40porque eu acho
28:40que no fim,
28:42digamos,
28:42o bom senso
28:43vai prevalecer
28:44no meio dessa doidice
28:45toda que a gente vê
28:45por aí.
28:46Tá bom.
28:47Francisco Cunha,
28:48muito obrigado
28:49pela entrevista
28:50e você que acompanhou
28:51a gente até aqui,
28:52obrigado também
28:53pela companhia
28:54e audiência.
28:55A gente volta
28:56na semana que vem.
28:57E aí
29:02Legenda por Sônia Ruberti

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