00:00As chamadas canetas emagrecedoras ganharam espaço, promessas rápidas e muita atenção.
00:05Mas será que elas são realmente solução?
00:07Para quem elas são indicadas?
00:09E o que acontece quando são usadas sem critério?
00:11Hoje a nossa conversa é mais profunda.
00:13Vamos refletir sobre o uso e até o mau uso dessas medicações no tratamento da obesidade
00:18e ainda entender riscos, limites e principalmente o que não pode ser negligenciado quando o assunto é saúde.
00:25Porque emagrecimento não é sobre perder peso, é sobre cuidar de forma consciente, segura e sustentável.
00:42Olá, eu sou Gabriela Rebello, nutricionista, e esse é mais um episódio do podcast NutriDicas.
00:48E hoje vamos conversar sobre emagrecimento, obesidade e canetas emagrecedoras.
00:54E para poder participar desse bate-papo junto comigo, eu tenho duas convidadas especiais.
00:59A primeira, Camila, que é repórter de saúde aqui do Jornal A Tribuna, que vai nos auxiliar conduzindo toda essa
01:06conversa.
01:07E também a médica endocrinologista, a doutora Priscila Peçanha, que vai compartilhar para a gente o seu conteúdo teórico e
01:13prático
01:14relacionado a esse assunto obesidade, que é um assunto tão em alta nos dias de hoje.
01:18Gente, eu acho que para começar, eu gostaria que a doutora Priscila falasse um pouquinho, né,
01:22dessa questão, a gente vai abordar um pouco da saúde da mulher, né, e ela pudesse falar dessa questão da
01:28obesidade
01:29em relação à mulher. A mulher tem mais propensão a ganhar quilos, a estar acima do peso, né?
01:36É mais difícil para a mulher perder peso?
01:39Primeiro, né, obrigada pelo convite.
01:42Muito bom estar aqui com vocês, para a gente poder falar sobre um assunto, assim,
01:45que é tão importante, tão prevalente, né, e que está sempre muito em alta.
01:50Sim, Camila, a mulher, ela tem uma tendência maior à obesidade.
01:57Hoje nós temos no mundo um bilhão de obesos, mas nós vemos, pelas questões mesmo hormonais,
02:06uma incidência maior no sexo feminino em relação ao sexo masculino.
02:12A mulher, ela tem fases da vida que propiciam uma obesidade maior, como, por exemplo, no climatério
02:21e na menopausa, onde acontece um depósito de gordura mais abdominal, mais visceral,
02:27e nós vemos com frequência nessa fase uma queda de metabolismo mesmo, uma queda de gasto metabólico,
02:34fazendo com que elas sejam mais obesas em relação aos homens.
02:38Então, até pela questão hormonal, a mulher tem mais frequência, tem mais tendência a ser obesa, sim.
02:45E, Gabi, quando a gente fala dessa questão da obesidade, né, da mulher,
02:50a alimentação para a mulher conseguir perder peso, ela é similar ao do homem ou precisa de alguns ajustes?
02:56Como que entra a nutrição nesse aspecto, né, da perda de peso na mulher?
03:01A alimentação, ela muda completamente, né, principalmente por conta do gasto calórico nosso, que é menor,
03:07nosso percentual de massa muscular é menor, se a gente for comparar proporcionalmente,
03:12metabolismo, parte hormonal também, então essa mulher, ela vai às vezes consumir o mesmo alimento,
03:18mas numa quantidade bem menor.
03:20E a grande dificuldade que a gente percebe no consultório é porque às vezes ela quer manter o mesmo ritmo
03:26de alimentação,
03:27e às vezes ela tem essa cobrança do parceiro, né, ah, porque eu quero sair, eu quero comer, eu quero
03:32beber,
03:33e ela não está me acompanhando, né, aí começa a gerar aquele conflito até interno entre eles.
03:39Então, é diferente, é um metabolismo diferente.
03:43E entrando nessa fase de climatério e menopausa, isso precisa ainda ser trabalhado com muito mais cuidado.
03:48Então, não só calorias, distribuição de macronutrientes, carboidrato, proteína, gordura,
03:53e micronutrientes também, que vão potencializar os sintomas que ela já vem sentindo,
04:00ansiedade, retenção hídrica, um acúmulo de gordura mais visceral, insônia, compulsão alimentar,
04:06principalmente por doces e carboidratos, e outros nutrientes que vão trazer esse equilíbrio, né,
04:13essa harmonia de todo esse organismo.
04:15Então, a gente foge daquela coisa de só batata doce e ovo, né, pão com frango,
04:20a gente precisa ter ali um aporte nutricional muito mais variado.
04:24A Gabi falou da gordura visceral, doutora Priscila, eu era justamente um tópico que eu ia puxar,
04:28eu queria que a senhora falasse do risco da gordura visceral na mulher, o risco para a saúde, né,
04:33que a mulher, ela tem essa tendência a acumular mais gordura na região abdominal do que o homem.
04:38Isso.
04:39Camilinha, nós temos, na região androide, nós temos o compartimento subcutâneo e o compartimento visceral.
04:45Então, quando a gente olha a barriga como um todo, né, o subcutâneo é aquele que vem à frente,
04:50então fica entre a pele e o músculo reto abdominal, que geralmente acontece muito nas mulheres, né,
04:58mas não é aquele tão ruim quanto a gordura visceral.
05:03E a gordura visceral é aquela que se acumula mais no fígado, no intestino, que é aquela tão temida, né,
05:08que a gente chama de mesh quando acumula no fígado, que é a esteatose hepática.
05:13Essa gordura visceral, ela, sem dúvida, é a pior em termos de prognóstico, em termos de efeitos cardiovasculares, né,
05:22então é aquela que a gente teme mais por ser mais inflamatória.
05:25Mas, de uma forma geral, essa gordura androide é uma gordura muito ruim,
05:31é uma gordura que não é desejada e que aumenta o risco cardiovascular de todos os aspectos.
05:36A subcutânea, ela é um pouquinho mais difícil de sair, né, de perder do que a visceral, por incrível que
05:45pareça, né,
05:45aquela visceral, quando a gente faz uma mudança do estilo de vida,
05:50quando usa a medicação de uma forma individualizada,
05:53a gente vê, né, Gabi, a gente vê essa mobilização da gordura visceral de uma forma mais efetiva.
06:01Então, a gente vê respostas muito boas, por exemplo, pacientes que saem de uma gordura visceral com esteatose grau 3,
06:09mudam o estilo de vida, fazem o tratamento direitinho,
06:13de uma forma muito boa, assim, progressiva, eles vão zero de esteatose, zero de mesh.
06:19Então, apesar de ser uma gordura ruim, Camilinha, é uma gordura mais fácil de mobilizar.
06:24E nas mulheres, essa gordura visceral, ela fica mais proeminente ainda depois dos 40, né,
06:29geralmente a gente vê uma perda de massa muscular mais frequente,
06:33com ganhos de gordura mais visceral, mais abdominal.
06:37Gabi, como que a gente consegue perder essa gordura, a doutora falou, né, né,
06:41questão do estilo de vida, existem alimentos que podem ajudar a gente perder essa gordura?
06:48Depois eu vou entrar na questão das medicações,
06:50mas eu queria que antes você pudesse falar sobre a questão da alimentação.
06:53O estilo de vida como um todo, né, atividade física é um ponto muito importante,
06:57e eu costumo falar com as minhas pacientes que a musculação, ela é importante,
07:02mas que a gente precisa dar o primeiro passo, então, independente do que a gente for começar.
07:06Vamos começar com uma caminhada, com uma bicicleta, uma canoa, uma aula de dança, vamos começar.
07:12E a partir do momento que a gente conseguiu firmar aquilo na nossa rotina,
07:16a gente vai aumentando a intensidade.
07:18É muito ruim quando, às vezes, a gente coloca pro paciente, né, que precisa ser algo,
07:23e aquilo pra ele, às vezes, é tão doloroso, e ele vai postergando, ele mesmo vai se auto-sabotando no
07:27processo,
07:28porque ele não gosta, porque ele não quer estar ali.
07:31Então, eu sempre falo, vamos começar com algo mais simples e a gente vai progredindo isso juntos.
07:36Atividade física, o controle do sono, né, então, o horário que a gente dorme, o horário que a gente acorda.
07:40Na nutrição, a gente tem a crononutrição, que hoje também é muito falada,
07:45então, o horário das refeições, principalmente, a primeira refeição, a última refeição do dia,
07:50a gente consegue aí trabalhar a sensibilização de insulina via os ajustes, né,
07:55desse relógio biológico, por exemplo, e o próprio manejo da alimentação também.
08:00Então, a gente controlar os carboidratos, não é excluir, a gente não precisa ter medo de comer carboidrato,
08:05ele é essencial pro nosso organismo, mas ajustar a qualidade, ajustar a porção, a quantidade,
08:11o horário com que ele vai entrar, e a crononutrição, ela traz muito isso pra gente.
08:16Na internet, a gente vê muito debate de que a caloria de um pãozinho de manhã
08:20é a mesma caloria de um pãozinho à noite.
08:22A caloria, de fato, ela é a mesma, mas a resposta metabólica, ela vai ser completamente diferente.
08:28Então, pegar, por exemplo, eu já recebi muito no consultório, dieta de inteligência artificial.
08:33Doutora, eu vim só ver se tá certo, pegar aqui seu carimbo, sua assinatura, ver se tá certo,
08:37se eu posso continuar.
08:39E aí, ele não tem essa, esse detalhe, né, ele só pensa o quê?
08:43Em caloria e macronutriente.
08:45Mas como é que tá essa crononutrição, esse relógio biológico nosso?
08:49E que na mulher, ele precisa ser trabalhado de uma forma muito mais minuciosa,
08:54justamente por conta dessas oscilações hormonais que a gente vai passando.
08:57Então, acho que são os pilares, né, sono, estresse, atividade física,
09:01e uma alimentação equilibrada.
09:03Essa questão da inteligência artificial aí dá até um outro podcast,
09:07só pra gente falar das consultas, né, das prescrições.
09:11Mas aí, você falou dessa questão da gordura e a doutora tinha citado da medicação.
09:15Então, acho que agora a gente pode entrar no uso das canetas para perda de peso, né.
09:19Eu sei que os médicos nem gostam que a gente fala emagrecedoras,
09:23pra não ficar uma questão estética.
09:24Gostam que a gente fala da questão das canetas anti-obesidade,
09:27acho que o propósito é esse, né, tratar diabetes, obesidade.
09:31E hoje a gente vê muitas pessoas procurando pra perder aquela barriguinha, né, doutora Priscila?
09:37Justamente pra perder um, dois quilinhos, a pochetezinha,
09:39como a Gabi já havia falado com a gente anteriormente.
09:42Como que fica essa questão do uso dessas medicações para obesidade e pra essa questão estética?
09:48Pois é, a gente fala, assim, de caneta para tratamento da obesidade,
09:53justamente pra poder tirar esse estigma, né, porque quando a gente fala canetas emagrecedoras,
09:58dá um ar de estética, né, e tudo que a gente não quer é que essas canetas sejam usadas
10:03pra estética, justamente pra perder dois, três quilos, pra perder a barriguinha pro verão.
10:09E assim, é tão absurdo, né, porque, por exemplo, aqui em Vitória, por exemplo,
10:14na época de dezembro, janeiro, pra você ver como que é sazonal.
10:19Época de verão, época das pessoas aproveitarem praias, né,
10:22a gente pensa em um corpo mais sarado e tudo,
10:25a gente não tinha Mondiauro, né, a tisipatida, vou falar o Mondiauro,
10:30que é a única marca que tem, né, que é o Visa Prova.
10:36As pessoas não conseguiam encontrar dois e meio nas farmácias
10:40pra poder começar seus tratamentos, tanto pro diabetes,
10:43quanto pra obesidade mesmo.
10:45Então, nós ficamos aí pelo menos uns 45 dias sem conseguir começar a medicação
10:51pros pacientes que realmente precisavam.
10:53Então, assim, Camilinha, a gente vê muita distorção, né, infelizmente,
10:58num país que é, infelizmente, muito permissivo, né,
11:01então a gente vê que as coisas são frouxas mesmo,
11:04as pessoas estão contrabandeando com força, estão manipulando,
11:08a gente fala, assim, que o perigo é que a gente não sabe
11:11o que tem nessas manipulações, a gente não sabe o que tem
11:14nessas canetas que vêm de fora, então a gente aconselha que realmente
11:18não faça, ainda mais quando não tem indicação,
11:21porque tudo tem efeito colateral, né, até um paracetamol, por exemplo,
11:25que a gente pensa que é inócuo, quando mal utilizado,
11:28utilizado em excesso, faz mal pro fígado, né, então é super hepatotóxico.
11:32Então, você imagina usar as canetas sem indicação,
11:35a pessoa vai ter mesmo, se for náusea, se for um pouco de diarreia,
11:39um pouco de constipação, ok, mas e se for sintomas piores, né, do que isso?
11:45Então, corre o risco, né?
11:46E, Gabi, muita gente pensa assim, ah, usar caneta,
11:50quando a gente fala de tratamento para obesidade, assim,
11:52ah, é o caminho mais fácil, quando a gente fala de obesidade,
11:55a gente fala de doença crônica, que precisa ser tratada, né?
11:58Qual é o papel da nutrição no uso da caneta?
12:02Como associar, porque não é só usar caneta,
12:04é ter uma mudança de hábito, de alimentação,
12:07eu queria que você falasse da importância, né,
12:09do nutricionista nesse tratamento.
12:11A mudança de comportamento como um todo,
12:13e a nutrição hoje, ela não fica mais presa só em contagem de calorias,
12:18que às vezes o paciente chega pra gente,
12:20quantas calorias tem quatro bolachas?
12:23A nutrição, ela vai muito além.
12:24A gente consegue trabalhar a organização mesmo do estilo de vida do paciente.
12:29Então, a gente vai dar o suporte de proteínas, principalmente,
12:33pra que ela consiga ali manter o seu metabolismo,
12:36a sua massa muscular.
12:37Ela vai ter uma redução do apetite,
12:40então pode desenvolver ali carências nutricionais importantes.
12:43Então, a gente também vai trazer um manejo, né,
12:46pra que ela tenha ali vitamina D, B12, ferro, ácido fólico,
12:49de forma equilibrada.
12:51E a gente consegue também, via alimentação,
12:53trabalhar uma modulação hormonal de forma natural,
12:56pensando em grelina, leptina, insulina,
12:59pra que a gente consiga manter esse organismo
13:01pós a utilização da caneta.
13:03Quando ela começar a fazer o desmame,
13:05ela vai precisar sustentar aquele resultado.
13:08Que às vezes a gente percebe que é o mais difícil,
13:11porque perder alguns quilos,
13:13a gente usa a caneta por conta própria,
13:16né, a gente pode até buscar alguns meios,
13:18e a sustentabilidade disso depois.
13:20Então, ter a junção do médico, do nutricionista,
13:23um educador físico colocando a parte da atividade física,
13:27um psicólogo pra trazer também a questão emocional.
13:30Então, quando a gente tem esses pilares bem firmados,
13:33a sustentabilidade disso vai ser muito maior,
13:35e ela vai sentir muito menos esses efeitos colaterais.
13:39Queda de cabelo, muita ansiedade,
13:42depois quando para a medicação,
13:44entra com uma compulsão de carboidratos,
13:46açúcares, gorduras muito maior,
13:48a flacidez, aumento de celulite, né,
13:51então, às vezes a gente foca muito no estético,
13:54no peso, no número da balança,
13:56mas o emagrecimento, ele vai muito além.
13:58A gente tá falando aí de várias,
14:00várias reações químicas que acontecem no corpo,
14:03e que vão sofrer alterações com isso.
14:05E, doutora, a Gabi falou da questão do tempo, né,
14:08eu queria que a senhora falasse,
14:10existe um tempo médio, um tempo limite,
14:12pra se usar caneta e ter um efeito justamente,
14:14quando a gente fala de obesidade, né,
14:16que seria, assim, um período que a pessoa vai conseguir perder um peso,
14:20sustentar o peso e depois fazer esse desmame,
14:22sem que ela tenha aquele efeito rebote?
14:24Que pergunta necessária, assim, né, Camilinha?
14:27A gente sabe que a obesidade é crônica, né,
14:30então, cada vez mais a gente tem entendido os mecanismos fisiopatológicos da obesidade,
14:35e entende que a obesidade como doença crônica,
14:38ela deve, sim, ser tratada como medicação.
14:40A gente tá falando de obesidade, tá, gente?
14:42A gente não tá falando de uso estético.
14:46Nós estamos falando de doença.
14:47Então, assim, o que a gente vê na prática?
14:50Que os pacientes que usam medicação mudam estilos de vida,
14:55mas que depois param a medicação,
14:58principalmente de uma forma repentina, né,
15:01ao chegarem na meta,
15:02existe um mecanismo de disfunção hipotalâmica,
15:06onde a memória metabólica faz com que o paciente reganhe aquele peso.
15:12É como se ficasse gravado aquele peso anterior do paciente
15:16e o paciente tivesse uma tendência a voltar, né,
15:19ou seja, o organismo aumenta os níveis de grelina,
15:23que é o hormônio da fome,
15:24diminui os níveis de leptina, que é o hormônio da saciedade,
15:26diminui o gasto metabólico basal, né,
15:29então o paciente tem tendência mesmo a voltar
15:32e a gente tem que entender que isso é um sofrimento pro paciente.
15:35Pensa no paciente, por exemplo, que tem uma condição chamada food noise, né,
15:38que ele pensa o tempo inteiro em comida,
15:41ele não consegue trabalhar porque ele tá pensando em comida.
15:44Como é esse paciente ficar sem medicação?
15:48Então as medicações, elas têm que ser usadas,
15:50claro que de forma individualizada, né,
15:52como o Gabi falou também, não é o emagrecimento,
15:56é uma mudança de composição corporal, né,
15:59não é só peso de balança,
16:01então isso tem que ser acompanhado.
16:02Mas sim, existe a indicação que esse paciente obeso
16:06continue usando a caneta.
16:09Depois a gente ajusta, Camila,
16:11a posologia, né,
16:13ok, chegou no peso meta,
16:14pode ser que aquele paciente não precise mais ficar usando
16:18a caneta toda semana, né,
16:21então ele vai começar a usar de 15 em 15 dias,
16:23depois ele pode usar de 3 em 3 semanas.
16:25Então isso pode ser acordado com o paciente, entendeu?
16:29Uma manutenção, ele vai ter ali uma manutenção.
16:31Exato, uma manutenção pra que ele não volte a ganhar o peso.
16:35É, e Gabi, eu queria que você, né, falasse sobre essa questão
16:39de que hoje o que você percebe no consultório,
16:43qual é a sua visão em relação,
16:45quando a gente fala da perda de peso, né,
16:47as pessoas ainda têm aquela resistência
16:49em fazer uma reeducação alimentar,
16:54existe alimento proibido,
16:55quando a gente tá falando, né, de uso de caneta,
16:57você não pode comer.
16:59Eu queria que você finalizasse, assim, com essa mensagem, né,
17:02falando da questão da alimentação,
17:03da importância da alimentação.
17:05A gente tem visto, como a doutora Priscila falou, né,
17:07a obesidade em crescimento,
17:09e talvez chegue um tempo que muitas pessoas usem caneta,
17:13mas nem todas terão condição também de usar caneta.
17:15Então, como ter uma boa manutenção de peso,
17:18ter uma dieta, né, dentro daquilo que a gente,
17:21da nossa realidade hoje, que seja saudável e sustentável?
17:25A alimentação eu vejo como algo chave,
17:27algo básico, né, de todo esse cenário.
17:30Tem alguns autores até que trazem pra gente
17:32de que a nutrição sozinha,
17:33ela pode até não conseguir tratar doenças,
17:36curar doenças,
17:37mas que sem a nutrição,
17:38a gente não consegue a melhora do paciente.
17:40Então, ela é um pilar, assim, essencial.
17:43E, às vezes, a pessoa,
17:44ela chega no consultório achando que só a medicação
17:47vai resolver o problema dela.
17:49Então, a gente tem todo aquele trabalho
17:50de reeducação mesmo,
17:52sobre o entendimento a respeito do próprio corpo,
17:55da própria imagem, do peso,
17:57da composição corporal,
17:58e de um estilo de vida importante.
18:01Então, trazer pra esse paciente
18:03que não é só até eu atingir uma meta.
18:06Se ele voltar com os hábitos antigos,
18:08ele vai recuperar aquilo tudo que ele perdeu.
18:10Então, assim como a medicação
18:12precisa ser feita um desmame, né,
18:14precisa, com aquele organismo,
18:16se mantenha, se estabilize naquele novo peso atingido,
18:20a alimentação, a atividade física,
18:22ela precisa ser contínua e mantida também.
18:25Então, durante a caneta,
18:27a gente usa ela como um suporte, né,
18:29uma estratégia,
18:30pra que eu vá conseguindo melhorar ali
18:32a minha rotina de alimentação,
18:34de atividade física,
18:36vou tendo menos compulsão,
18:37começando a me comportar melhor
18:39em determinadas situações,
18:41como o coffee break na empresa, por exemplo.
18:43E aí, depois que ela aprendeu
18:45todas essas orientações,
18:47ela vai sustentabilizando isso
18:49dentro do estilo de vida dela.
18:51E tem os psicólogos
18:53que trazem uma coisa muito bacana,
18:54que é a gente também avaliar o nosso meio.
18:58Porque tem meios obesogênicos,
19:00tem meios que são mais saudáveis.
19:02Então, às vezes, aquela paciente também,
19:04ela tá tentando emagrecer,
19:05mas ela tá com um ciclo de amizade,
19:08que é da bebida, que é da comida.
19:10Então, a gente também, às vezes,
19:11parar pra rever qual é o meio ao qual
19:13estamos inseridos.
19:14Porque isso tudo influencia
19:15quando a gente fala de obesidade.
19:18Obesidade não é somente deixar de comer
19:20e gastar mais energia com atividade física.
19:23Tem paciente que, às vezes,
19:24ah, eu não consigo ficar duas, três horas na academia.
19:26Mas também não precisa.
19:28Conversa com o seu educador,
19:29ajusta a frequência,
19:30ajusta a intensidade,
19:32ajusta o tempo
19:32dentro daquilo que é possível pra você.
19:35Às vezes, pode ser que o resultado
19:36seja um pouco mais devagar,
19:37um pouco mais demorado,
19:39mas vai ser muito mais sustentável.
19:41Então, a nutrição, o médico,
19:44a equipe multiprofissional,
19:45a gente precisa ter esse olhar também, né?
19:48Da rotina dessa pessoa.
19:50Porque, às vezes, a gente quer colocar pra ela
19:51uma atividade física,
19:53uma alimentação,
19:54que ela não vai dar conta também de fazer.
19:56Então, buscar o acompanhamento profissional
19:58pra ter um atendimento,
20:00um tratamento, de fato, individualizado.
20:02Hoje, inteligência artificial, internet,
20:05a gente tem muito facilmente essas informações.
20:08Mas será que, de fato, é o ideal pra mim?
20:10Será que a dieta que a sua amiga fez
20:12é o ideal também pra você?
20:14Como é que estão os resultados dos seus exames?
20:16E aí, quando a gente tem uma equipe
20:19multiprofissional, ética e responsável,
20:21a gente consegue deixar esse paciente
20:22muito mais redondinho, né?
20:24A gente consegue acompanhar ele
20:26em todos os seus aspectos.
20:27E aí, naturalmente, ele vai percebendo
20:29a melhora sem sofrer.
20:31Depois, ele consegue manter isso
20:33muito mais fácil.
20:33Até que vire hábito, né?
20:35Porque esse é o objetivo, né?
20:37Até que vire hábito, isso aí.
20:37E pra finalizar, eu queria fazer uma pergunta
20:39à doutora Priscila,
20:39que a gente tá falando também da questão
20:42de como hoje as pessoas têm acesso
20:45ao mercado paralelo, né?
20:46Dessas medicações.
20:47A preocupação que os médicos sérios,
20:51éticos, têm em relação a isso,
20:52porque, como a doutora até citou aqui,
20:55né?
20:55A única que tem a patente
20:57que pode produzir a medicação,
20:58hoje aprovada aqui pela Anvisa no Brasil,
21:00seria a Lili, né?
21:02Não é fazendo propaganda,
21:03mas é deixando claro
21:04pra que as pessoas tenham esse conhecimento, né?
21:06O risco, doutora,
21:08de você usar uma medicação
21:10que não tem aprovação.
21:11E a mensagem que eu acho
21:13que a senhora poderia deixar
21:14em relação a isso, né?
21:16Todo mundo pode usar uma medicação também?
21:18Então, a gente tem visto esse aumento, né?
21:21Assim, de forma assustadora.
21:22Até quando a gente vê a mídia, né?
21:24Ah, internação por tizepatida,
21:26internação por tizepatida, né?
21:28A gente tá falando da tizepatida,
21:29mas também a semaglutida,
21:30que também até há pouco tempo
21:32era mais falada.
21:34Mas com a tizia,
21:35a gente tem visto mais esse pulburinho mesmo
21:37por conta do contrabando, né?
21:39Até a gente usando a retadrutida,
21:41que nem tá em estudo ainda, né?
21:44Gente, como assim?
21:45No Paraguai tem o lançamento da retadrutida.
21:47A retadrutida tá na fase 3 de estudo.
21:49Então, assim, lugar nenhum no mundo.
21:51Por melhor que ela esteja embalada,
21:53por melhor que ela esteja sendo importada,
21:56não é a retadrutida.
21:57Então, o que a gente sabe?
21:59Que o único produto original
22:01que a Anvisa permite
22:03por questões de segurança,
22:04segurança para o paciente,
22:06é a tizepatida mondiauro, né?
22:11O mondiauro, o Dalili.
22:13Lá no Paraguai,
22:15existe a Anvisa, né?
22:17Lá nos Estados Unidos,
22:18existe o FDA.
22:19Ou seja, cada lugar
22:20tem o seu órgão responsável
22:22por essa segurança.
22:23Mas a Anvisa não permite,
22:24mas não é por chatice.
22:26É porque realmente a gente não sabe
22:27de onde o princípio ativo vem, né?
22:30Então, pela questão da segurança.
22:32Pior ainda do que isso,
22:33são os manipulados, assim, né?
22:35Porque a gente não sabe
22:36o que tem ali nos manipulados.
22:38A gente não sabe de onde
22:39que é o princípio ativo.
22:40A gente não sabe
22:41o que que tem ali,
22:42quem manuseou,
22:43como manuseou,
22:44que condição que chegou.
22:46Foi feita uma avaliação
22:47num manipulado de tizepatida.
22:50Que se diz, né?
22:51É, que se diz tizepatida.
22:53E nesse manipulado de tizepatida
22:55era tudo,
22:55menos tizepatida.
22:56Pasme,
22:57o paciente vai perder peso.
22:59Mas o que que tinha ali?
23:00Tinha um pouquinho de tizepatida,
23:03mas tinha semaglutida,
23:05hormônio tiroidiano
23:06e cibutramina.
23:08O paciente tava usando
23:09como se fosse tizepatida.
23:10E pagando muito mais caro.
23:11E pagando caro, né?
23:13Os protocolos,
23:15as prescrições,
23:16aquela coisa chique.
23:17Então, assim, gente,
23:18tem que tomar muito cuidado,
23:19porque a gente vai ter
23:20efeito colateral com isso, né?
23:22Então, existe uma chance maior
23:24mesmo de pancreatite,
23:27de perdas de peso aceleradas,
23:30né?
23:30Quedas de cabelo.
23:32Não tô falando só esteticamente,
23:33mas tô falando de risco de vida mesmo.
23:35Então, assim,
23:36se não consegue comprar
23:37o Mundiauro, né?
23:38Agora, vamos falar uma coisa
23:39que realmente o acesso
23:40a essas medicações
23:42é muito difícil.
23:43A gente realmente vê
23:43e a gente tem batido o pé
23:46no SUS, né?
23:47Com essas coisas todas,
23:48fazendo campanha.
23:49A SBEM tem feito
23:50campanhas legais sobre isso.
23:51A gente vai usar
23:53a semaglutida, né?
23:54Que é uma medicação
23:55excelente também,
23:57que até a tizepatida
23:58chegar,
23:59a semaglutida
24:00era o que tinha de melhor
24:01no mercado
24:02e que mais fazia perder peso.
24:03e que hoje tá com custo
24:05mais acessível
24:05pela quebra da patente.
24:07E aí, a gente vai ajustar
24:08pra esse paciente
24:09de acordo com o perfil fenotípico,
24:10de acordo com a condição social,
24:12porque também não adianta
24:13a gente começar a usar
24:14o Mundiauro
24:15e o paciente não conseguir
24:16manter lá na frente.
24:18Então, assim,
24:18com dois meses parou,
24:19porque não consegue manter
24:20financeiramente.
24:21Então, é melhor usar
24:23mesmo a SEMA.
24:24E aí, a gente ajusta
24:25com a medicação,
24:27faz um uso contínuo,
24:28faz um tratamento
24:29com uma perda de peso
24:30muito considerável também.
24:32Então, é ajustar,
24:33entendeu, Camilinha?
24:34É você fazer um ajuste
24:35de um tratamento
24:36que dê pro paciente manter.
24:38Eu acho também,
24:39pra fechar,
24:39é a gente parar
24:40de pensar só no hoje, né?
24:41Sim.
24:42Somos muito imediatistas, né?
24:44A gente quer subir na balança
24:45e ver que desceu ali
24:46cinco, seis quilos.
24:47Descer dois,
24:48já também já não é o suficiente.
24:50E pensar lá na frente
24:51a nossa velhice, né?
24:52Como é que vai ser isso?
24:53Como é que vai ser?
24:54Como é que está sendo
24:54a construção disso, né?
24:56Eu falo de funções básicas,
24:58levantar, sentar,
25:00andar, escovar o próprio dente.
25:01É isso aí.
25:02Nossa massa muscular, né?
25:04Eu ia falar isso, Gabi,
25:05manter a massa,
25:05comer uma questão da proteína, né?
25:08Vocês estão falando aí, né?
25:09Da medicação,
25:10e eu vou deixar até
25:11um minuto relato aqui
25:12de procurar um nutricionista, né?
25:14Que faça acompanhamento.
25:16Por quê?
25:16Porque eu estou preocupada
25:17não só com hoje.
25:18Eu falo,
25:18eu quero ter saúde
25:19pra ver o meu filho crescer.
25:20Eu quero ter massa muscular, sabe?
25:22Eu não quero ter osteoporose, sabe?
25:24Eu estou preocupada.
25:26Autonomia, independência, né?
25:27Penso nessa questão
25:28da ingestão de proteína,
25:29quanto que eu estou consumindo.
25:30E eu acho que é isso, né?
25:32As pessoas têm que se conscientizar
25:34que não é só o agora,
25:35como a Gabi falou.
25:37É isso aí.
25:37Não é número, né?
25:38Nunca foi sobre número.
25:39A gente está falando de saúde, né?
25:41De vida.
25:42É.
25:42Né?
25:42Muito bom.
25:43Eu acho que a mensagem principal
25:44é essa, né?
25:45Não somos números de balança.
25:47É uma vida que está ali, né?
25:48E a gente não comparar histórias, né?
25:50É uma coisa também, né?
25:51Ah, porque a gente escuta muito isso.
25:53Em com histórias,
25:54você deve escutar isso também, Gabi.
25:55Ah, mas meu vizinho perdeu tanto.
25:58Minha vizinha perdeu tanto, né?
26:00Então, gente, cada um é um.
26:02Cada um tem a sua história,
26:03tem a sua rotina,
26:04tem a sua condição social,
26:06tem a sua...
26:07Então, assim, não adianta você comparar, né?
26:09Então, assim, é a gente focar
26:11ser um por cento melhor
26:13daquilo que a gente foi no dia anterior
26:15e está tudo certo, né?
26:17Entendendo que cada um tem seu tempo.
26:19Perfeito.
26:19É isso, gente.
26:20Obrigada, hein?
26:21Adorei o nosso bate-papo.
26:22Obrigada.
26:23Obrigada pelo convite.
26:24Obrigada por ter aceito.
26:25E, Camila,
26:26obrigada você também
26:26por ter conduzido esse bate-papo
26:28de uma forma tão leve
26:29e tão gostosa, né?
26:30O prazer foi todo meu.
26:31E para você aí de casa,
26:33se gostou desse conteúdo
26:34e fez sentido para você,
26:35curte, comenta, compartilha.
26:37Afinal de contas,
26:38conteúdo importante
26:39precisa ser compartilhado.
26:41E continue acompanhando
26:42as dicas de nutrição,
26:44alimentação e um estilo de vida saudável
26:46na coluna Nutri Dicas
26:47toda sexta-feira
26:48no Jornal da Tribuna
26:49e também o podcast Nutri Dicas
26:51que vai ao ar toda quarta-feira
26:53no portal Tribuna Online,
26:55YouTube
26:55e nos tocadores de podcast.
26:57E até a próxima semana.
27:18Transcrição e Legendas Pedro Negri
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